Vídeo Dentro, Fotos Fora
Quinta-feira foi um dia de sorte mista para ambos os lados no julgamento de Michael Jackson, enquanto os advogados discutiam sobre as testemunhas finais e as provas a serem apresentadas no julgamento.
O juiz Rodney Melville decidiu que os jurados poderão assistir a um vídeo da entrevista policial do acusador, mas não verão fotos da genitália do cantor, tiradas durante uma investigação em 1993.
A entrevista policial com o garoto foi filmada em julho de 2003, após ele ser encaminhado às autoridades pelo psicólogo Stan Katz. Ele foi indicado a Katz pelo advogado Larry Feldman, uma testemunha da acusação no caso.
Tanto Feldman quanto Katz foram peças-chave em alegações semelhantes feitas contra Jackson em 1993. Naquela ocasião, as acusações nunca foram formalizadas, mas o acusador aceitou um acordo civil extrajudicial de vários milhões de dólares.
Argumentando contra a moção, o advogado de defesa Robert Sanger disse ao Tribunal que o vídeo continha "material prejudicial", incluindo policiais dizendo ao garoto: "Você é muito corajoso, queremos que você faça isso."
Ele afirmou que, se o vídeo fosse apresentado, a defesa poderia chamar o acusador e sua mãe de volta ao banco das testemunhas, junto com Katz e Feldman.
O juiz Melville disse que o vídeo era “muito longo” e sugeriu que tocar meia hora da gravação seria suficiente. No entanto, orientou os promotores e advogados de defesa a negociarem entre si a edição do filme.
Fotos da genitália estão fora
Em uma vitória para a defesa, o juiz disse aos promotores que eles não poderiam apresentar fotos da genitália de Jackson. As fotos foram tiradas pelas autoridades em 1993, após Jackson receber uma intimação. O então acusador de Jackson foi solicitado a desenhar uma imagem da genitália do cantor, incluindo uma mancha que supostamente era única na anatomia do cantor.
O promotor Ron Zonen disse que queria mostrar aos jurados a descrição de uma criança "de uma característica única da anatomia dele (Jackson)." Ele afirmou que isso mostraria que os relacionamentos de Jackson com os garotos "não eram casuais."
Mas Sanger chamou as fotografias de uma "surpresa injusta" e disse que os promotores "nem sequer insinuaram que tentariam essa tática com antecedência." Ele citou uma decisão da Suprema Corte dos EUA que determina que um juiz deve evitar evidências dramáticas e prejudiciais no final de um julgamento.
"Isso é realmente um exagero para encontrar qualquer motivo para apresentar isso como prova," disse Sanger, argumentando que seria "muito chocante" para o júri ver.
O Tribunal decidiu que o efeito prejudicial das fotos superaria em muito qualquer valor probatório no caso e destacou que a defesa não teria ninguém para contra-interrogar. Jordie Chandler, o acusador de 1993, não está disponível para testemunhar no julgamento de Jackson.
Os promotores também solicitaram a admissão de e-mails enviados entre o ex-advogado de Jackson, Mark Geragos, e o investigador particular Bradley Miller. Caso o juiz Melville permita o material, tanto a acusação quanto a defesa indicaram que chamariam Geragos de volta ao banco das testemunhas.
Testemunhas de refutação
Os promotores chamaram várias testemunhas de refutação na quinta-feira, incluindo um ex-advogado da família Arvizo. Bill Dickerman representou a família do acusador em um esforço para obter os passaportes, vistos e móveis da família, que foram colocados em armazenamento pelos associados de Jackson.
As trocas entre Dickerman e o principal advogado de defesa, Thomas Mesereau, frequentemente ficaram acaloradas.
"Você e seu cliente estavam tentando armar um processo contra o Sr. Jackson," acusou Mesereau a testemunha.
Dickerman negou a acusação e foi advertido após dizer: "Se quisermos chegar à verdade, Sr. Mesereau, em vez de jogar jogos, podemos ter um julgamento razoável onde os fatos venham à tona."
"Advogado, você não é um defensor aqui, você é uma testemunha," o juiz o advertiu.
Em um momento, Dickerman reclamou que Mesereau não estava ouvindo suas respostas.
"O microfone está ligado?" disse ele enquanto o testava, "Está ligado?"
A fase de refutação do julgamento pode durar mais do que o esperado após as decisões de hoje, já que ambos os lados indicaram que vão chamar novamente várias testemunhas e apresentar novas provas.
Fonte: AP/Reuters/eMJey
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