Cercado por sua equipe de segurança, Michael Jackson chega na quarta-feira para audiência em Santa Maria, Califórnia.
A mãe do adolescente que acusa Michael Jackson chorou na quarta-feira ao contar como assistiu em silêncio enquanto o cantor lambia a cabeça de seu filho adormecido “repetidas vezes” durante um voo em avião particular.
"Por favor, não me julguem, por favor, não me julguem", implorou ela, voltando-se para o júri ao relembrar o incidente em um voo noturno de Miami para o Neverland Valley Ranch de Jackson em fevereiro de 2003.
Ela disse que os outros passageiros estavam dormindo quando ela se levantou e olhou ao redor do avião para onde seu filho de 13 anos estava sentado ao lado do artista.
“Foi quando eu vi Michael lambendo a cabeça dele. Pensei que era comigo, pensei que estava vendo coisas. Pensei que era comigo,” disse ela, aos prantos. Na época, não contou a ninguém o que tinha visto.
Pontuada por soluços, braços agitados e dedos apontando para Jackson, o depoimento da mãe foi tão dramático quanto uma audiência anterior na quarta-feira, quando havia dúvidas se ela subiria ao banco das testemunhas.
Ela subiu ao banco fora da presença do júri na quarta-feira e imediatamente invocou seu direito à Quinta Emenda para não testemunhar sobre os pagamentos de assistência social que recebeu.
Problemas com pagamentos de assistência social
O juiz Rodney S. Melville disse que a mãe ainda poderia testemunhar e que instruiria os jurados de que ela havia invocado seu direito de proteção contra autoincriminação.
A decisão veio depois que a mulher subiu ao banco fora da presença do júri e disse que se recusaria a discutir “tudo relacionado à solicitação de assistência social.”
Os advogados de defesa levantaram dúvidas sobre a credibilidade da mulher, acusando-a de enganar celebridades e cometer fraude na assistência social. O promotor Thomas Sneddon disse em suas declarações iniciais que a mulher admitiria ter recebido pagamentos de assistência social aos quais não tinha direito.
O juiz disse que informaria aos jurados que os advogados não poderiam ter previsto o desenvolvimento de quarta-feira quando fizeram suas declarações iniciais. A declaração acrescentaria que os jurados não deveriam tirar conclusões negativas sobre nenhum dos lados.
A audiência de quarta-feira encerrou semanas de especulação sobre quando os promotores chamariam a mulher para testemunhar — e se ela testemunharia.
Os advogados de defesa tentaram desviar o foco do caso de Jackson para a mãe do garoto, alegando que ela orquestrou um esquema para fazer seu filho acusar falsamente Jackson de abuso para obter dinheiro do cantor.
‘Não se pode permitir que uma testemunha escolha o que vai responder’
O advogado de defesa Robert Sanger argumentou após a saída da mulher do banco que seria injusto para Jackson permitir que a testemunha se recusasse a responder sobre alguns assuntos, mas não sobre outros.
"Você não pode permitir que uma testemunha escolha a que será submetida no interrogatório," disse ele.
O juiz, no entanto, disse que a defesa poderia questionar a credibilidade da mãe por meio de outros testemunhos.
“Vocês não seriam impedidos de provar esses pontos por meio de outras testemunhas,” disse Melville.
A suposta fraude na assistência social ocorreu no Condado de Los Angeles, onde a mãe morava. Testemunhar que recebeu pagamentos aos quais não tinha direito poderia abrir a possibilidade de uma investigação criminal.
A mãe é considerada uma testemunha crucial tanto pela acusação quanto pela defesa. Ela é fundamental para as acusações de conspiração de sequestro contra o cantor e foi retratada pela defesa como uma golpista.
Os advogados de Jackson a descreveram como uma mentirosa e vigarista que se aproveitava de celebridades. Mas a decisão de quarta-feira limitará o alcance da defesa para minar sua credibilidade, sendo vista como mais um revés para Jackson.
Fonte: Reuters/The Associated Press/eMJey