Entrevista de Larry King com Thomas Mesereau, advogado principal de Michael Jackson
Larry King: Você disse que não ficou surpreso com a absolvição de Michael Jackson. Isso significa que você estava confiante na vitória. Mas a maioria dos advogados acredita que não se pode prever o veredito do júri, e nunca se pode ter certeza. Por favor, explique.
Thomas Mesereau: Eu tinha certeza. Acreditei que desacreditamos o caso deles durante o processo de interrogar as testemunhas de uma forma muito eficaz. E também acreditei que chamamos testemunhas muito persuasivas.
Larry King: Que tipo de cliente era Michael?
Thomas Mesereau: Ele é um cliente extraordinário. De todos os clientes que já tive até agora, foi muito fácil trabalhar com ele. Ele é muito gentil. Muito digno e educado, e muito cooperativo. É uma pessoa altamente, altamente respeitada e honesta. E eu realmente gostei de representá-lo, e o considerava um amigo.
Larry King: Alguém alguma vez falou em chamar Michael Jackson para depor?
Thomas Mesereau: Sim. No começo, eu pretendia chamá-lo para depor, e ele estava disposto a testemunhar. Mas, conforme o caso avançou, ficou completamente claro para mim que Michael não precisava subir ao banco das testemunhas.
Larry King: Algumas pessoas acreditavam que o promotor estava pensando em Michael Jackson o tempo todo. Você compartilha dessa opinião?
Thomas Mesereau: Sim. Concordo completamente com isso. Acho que eles se concentraram nas próprias crenças e opiniões sobre esse caso e suas testemunhas, em vez dos fatos. Eles também agiram assim com as teorias não comprováveis que tentavam provar. Porque suas teorias estavam erradas. E acho que essa fixação em Michael realmente os prejudicou.
Larry King: Você acha que essa fixação remonta ao acordo sobre o caso de anos atrás?
Thomas Mesereau: Larry, eu não sei onde começou. Parece que começou naquela época e se desenvolveu durante o caso atual. Eles nunca questionaram seriamente o acusador e sua família, e mesmo antes de identificarem quem eram, acreditavam nas histórias deles. Na realidade, fomos nós que descobrimos todas essas objeções sobre as testemunhas, seus antecedentes e histórico. A equipe do promotor realmente fechou os olhos para os fatos. E eu até acho que, no meio desse caso, eles tentaram negar a verdade, e isso lhes causou problemas.
Larry King: Quão eficaz foi Macaulay Culkin?
Thomas Mesereau: Ele foi muito eficaz. Foi uma testemunha extraordinária para Michael Jackson, e eu sempre tive muito respeito por Macaulay Culkin. Ele não precisava se envolver nesse assunto, mas fez isso por seu amigo. Ele sempre dizia: “Quero estar lá. Quero ajudar o Michael. Quero contar a verdade.” Ele foi um fator muito influente e tem um caráter muito forte.
Larry King: Convidamos um dos membros do júri para este programa ontem à noite. Ele disse que acredita que Michael tem uma desvio sexual em relação a crianças, e que foi o promotor quem não conseguiu provar suas alegações. Qual sua reação a essa declaração?
Thomas Mesereau: Bem, acho que ele está errado. Michael Jackson não tem desvio sexual com crianças. Ele nunca teve. Por anos, o promotor tentou montar uma história sobre isso e provar no tribunal, mas não conseguiram. Michael Jackson não é um desviado sexual. Ele nunca abusou sexualmente de uma criança, e nunca sequer imaginou fazer tal coisa.
Larry King: O ponto surpreendente é que, quando você tem um cliente que é diferente de todos os outros — um homem que dorme em sua cama com crianças — aqui você tem que fazer os membros do júri se colocarem no lugar do seu cliente. Se eles fizerem isso, você vence. Como alguém pode se colocar no lugar de Michael Jackson?
Thomas Mesereau: Bem, antes de tudo, Larry, a ideia de que Michael dorme com crianças foi criada pela mente do promotor. O que Michael deixou claro é que ele permite que famílias fiquem em seu quarto. Seu quarto tem dois andares. As mães dormem nesse quarto, os pais dormem lá, as irmãs e irmãos dormem lá. O promotor só mencionou os meninos, porque achava que isso poderia influenciar o júri — e, no fim, falhou.
Mas sim, tivemos que explicar ao júri quem Michael Jackson realmente é. Que ele tem um espírito criativo e um coração bondoso; que é um músico e coreógrafo excepcional; e que é uma pessoa muito sensível que tem muitas preocupações sobre o mundo e seus problemas. E ele tem um eu interior e espírito infantil que atrai crianças de todo o mundo.
Tivemos que explicar a eles quem ele realmente é, e nunca tentamos retratá-lo como algo diferente do que ele é. Ele nunca quis usar nada além da roupa formal do tribunal. O objetivo de todos nós é mostrar quem Michael é, e ter orgulho dele, e acreditar nele.
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