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Fitas perdidas do show de Michael Jackson em Moscou são encontradas

29 de agosto de 2013 Klim Kolosov, especial para a RBTH

O cineasta russo Egor Trubnikoff fala sobre a estranha experiência de turnê de Jackson em Moscou.

O astro do pop americano Michael Jackson faz uma saudação militar falsa enquanto está cercado por músicos do Exército russo no memorial da Segunda Guerra Mundial em Moscou, na quarta-feira, 18 de setembro de 1996. Jackson deixará Moscou na quarta-feira, depois de ter feito um show de sua turnê mundial “History” na terça-feira. Fonte: AP

Egor Trubnikoff — o homem internacional de mistério da cena do cinema russo — revela os motivos por trás de seu provocativo documentário de homenagem, que traz histórias em quadrinhos desenhadas à mão no tribunal, falas explícitas de pessoas diante das câmeras e imagens raríssimas do MJ encontradas nas prateleiras empoeiradas durante o fechamento de um escritório.

Faz exatamente 20 anos agora desde que o Rei do Pop pegou Moscou de surpresa — algumas semanas depois de ter sido acusado publicamente de abuso infantil pela primeira vez e algumas semanas antes de os tanques do Exército Vermelho dispararem contra o Parlamento russo como um último adeus ao período soviético.

Michael Jackson, com 35 anos na época, aterrissou para apenas um show — mas a verdadeira aventura ficou fora dos palcos. A “Dangerous World Tour” foi fiel ao nome. O filme de Trubnikoff tem tudo: as crianças, o exército e muito mais.

RBTH: Então você continua dizendo que era uma caixa que se acreditava totalmente perdida há anos — e você encontrou aquelas fitas [nela] enquanto mudava os móveis?

Egor Trubnikoff: Quase, mas não exatamente. Não fui eu quem encontrou. Foi o cinegrafista — o sujeito por trás da câmera para quem Jackson se dirigiu (“Você está em um lugar perfeito toda vez”) ao caminhar perto da Praça Vermelha à noite.

Ele estava, de fato, e assim, a partir desses ângulos perfeitos, nós temos uma coleção de imagens nunca publicadas: principalmente cortes e trechos descartados do que o canal normalmente grava; uma mina de ouro para o cinema histórico, talvez até para fazer história.

RBTH: O Sr. Jackson, a partir desses trechos fora dos palcos — que tipo de pessoa aparece neste documentário? Foi revelado um lado sombrio?

E.T.: Não há lado sombrio, não é um thriller, não há pistas para o julgamento — apesar dos esboços que usamos para substituir episódios que faltam ou que foram proibidos por direitos autorais. A impressão que Jackson deixou após o show é documentada como um mal-entendido completo e profundo, até mesmo entre os poucos fãs russos que existiam 20 anos atrás e que foram até Moscou para ver a apresentação. Se alguém viesse de Marte, o desencontro de informações não poderia ser maior.

Nesse enxame de admiradores parcialmente cínicos, mas na maior parte impotentes, Jackson aparece tão solitário quanto talvez nunca antes e, depois, usando seu elegante casaco de Peter Pan e [em pé] com um pote de geleia caseira de cereja.

Precisamos cortar a cena em que ele fica no palco antes da música de abertura, congelado como um quadro parado por vários minutos; e é só a chuva que faz você adivinhar que é uma imagem ao vivo, não uma fotografia.

Este episódio sozinho poderia servir para o filme inteiro. Sozinho, um estranho em Moscou: é exatamente assim que nós o vemos. As pessoas ao redor dele não estão lá, é só ele. Mas, como ele não fala por si mesmo, outras pessoas fazem isso.

RBTH: As pessoas entrevistadas, quem são? Por que exatamente elas?

E.T.: Todos são testemunhas ao vivo com ângulos diferentes: crianças do orfanato que ele visitou, agora todas adultas; uma estrela do pop russo aposentada que acredita que Jackson veio de outro planeta; crianças que se tornaram estrelas de TV e músicos depois de visitar aquele show; pessoas que receberam um ingresso de graça na plateia; organizadores que mal sobreviveram à pressão criminal.

E, é claro, o Sr. Art Troitsky — o guru do jornalismo de música pop, que diz que a popularidade deve ser medida por karaokê. Eu juntei todos eles no filme porque eles nunca se encontraram na vida real, talvez apenas naquele show 20 anos atrás.

RBTH: Existem heróis silenciosos que só aparecem para mostrar, mas não falam?

E.T.: É a própria cidade de Moscou. Afinal, depois dos super sucessos e dos lançamentos multi-diamante que Michael fez até 1993, parecia além de qualquer pesadelo que um show de Jackson pudesse fracassar de forma épica. Foram os moscovitas — os russos sinceros e ingênuos do início do pós-perestroika — que fizeram o impossível virar verdade, de modo que o Exército Vermelho foi chamado para preencher o local.

RBTH: Os moscovitas de hoje apreciariam ser retratados dessa forma, como aqueles que fizeram Jackson fracassar?

E.T.: Certamente que não: assistir a este vídeo pode ser bem desafiador para o orgulho nacional e a autoimagem. Não tenho certeza se a lição foi aprendida. Se o filme e o próprio show não estivessem lá, poderia ter evitado bastante dor de cabeça

Vídeo cortesia de Paniсfilm e Yuri BurakMichael Jackson, 35, tocou o chão entre Japão e Israel para apenas um show, mas a verdadeira aventura ficou fora dos palcos. O filme “Michael Jackson, o Caso de Moscou”, dirigido por Egor Trubnikoff, tem tudo: falas explícitas diante das câmeras e imagens raríssimas do MJ encontradas nas prateleiras empoeiradas durante o fechamento de um escritório, com crianças, exército e muito mais.

https://itunes.apple.com/ru/app/id484433103

http://rbth.ru/arts/2013/08/29/lost_tapes_of_michael_jacksons_moscow_show_found_29359.html

http://rbth.ru/multimedia/video/2013/08/29/michael_jackson_the_moscow_case_king_of_pops_adventures_in_r_29349.html

Faz exatamente 20 anos agora desde que o Rei do Pop tomou Moscou de surpresa. Algumas semanas depois de ser acusado publicamente de abuso infantil pela primeira vez. E algumas semanas antes de tanques do Exército Vermelho dispararem contra o Parlamento.