Sessão 13 do tribunal da AG: pedido de US$ 5 milhões de Murray para cuidar de Michael Jackson
Na 13ª sessão do tribunal realizada na sexta-feira, foram exibidos ao júri 45 minutos de vídeo gravado com o depoimento de um diretor de turnê contratado pela empresa. No vídeo, o diretor afirmou que Conrad Murray solicitou um salário jurídico de US$ 5 milhões à empresa para cuidar de Michael Jackson. A testemunha descreveu o pedido de Murray como irrazoável e um sinal de alerta para a empresa. Marty Hoom, que passou 25 a 30 anos da vida como gerente ou diretor de turnê, descreveu o pedido de Murray como chocante e sem lógica. Ele disse que, no fim, Murray concordou com um salário mensal de US$ 150 mil.
A AEG inicialmente escolheu Hoom como sua testemunha. Ele deveria comparecer ao tribunal em troca de receber US$ 500 por cada hora para depor sob juramento. Mas a empresa mudou de decisão e retirou Hoom da lista de testemunhas. Ainda assim, ontem, o advogado da família de Catherine Jackson, em um movimento raro, mostrou ao tribunal um vídeo gravado com o depoimento juramentado de Hoom diante dos advogados dos dois lados. Brian Panish disse que levou esse vídeo para garantir que o júri ouvisse a voz dele, mesmo que a empresa não pretendesse intimá-lo.
Outra coisa importante que Hoom disse no vídeo foi sua surpresa ao ter um médico particular na turnê. Ele afirmou que, ao longo dos anos, nunca tinha visto um médico particular acompanhar uma turnê. Ele aceitou que os Rolling Stones tinham um médico acompanhando suas turnês, mas disse que não trabalhou com eles.
O restante do vídeo seguiu para discutir as relações de trabalho.
A principal pergunta que Panish fez a Hoom foi se o Dr. Murray priorizaria os interesses da empresa mais do que a saúde do paciente (Michael) em benefício próprio. Hoom respondeu que não achava apropriado interferir na relação médico-paciente.
Panish perguntou a ele se pessoas da empresa conversando com o médico na ausência do paciente seriam consideradas antiéticas. Hoom disse que não sabia se isso seria eticamente aceitável, mas, de qualquer forma, nessa situação, cabia ao Dr. Murray rejeitar o pedido de uma conversa. Hoom apontou que nunca tinha visto uma conversa particular entre pessoas da empresa e um médico, mas, ao longo dos anos, quando um gerente de palco ficava doente, seu instinto dizia para ir até o médico deles e perguntar se aquela pessoa poderia ir ao palco. Ele também explicou que, antes da turnê, a empresa precisava consultar o médico designado sobre o estado de saúde de Michael e sua capacidade de fazer shows.
Outra coisa que Hoom disse foi que nunca tinha visto uma empresa de turnê pagar o salário do gerente de um programa de um artista. Panish afirmou que apresentaria documentos nos próximos dias para provar que o salário do gerente do programa de Michael estava sendo pago pela empresa, criando um conflito de interesses.
Os advogados de Catherine Jackson afirmam que a contratação de Frank Dileo foi imposta a Michael pela empresa. Nos três meses que antecederam sua morte, Michael trocou dois gerentes de turnê. No fim de março, ele contratou Leonard Rowe — um dos amigos de seu pai — para substituir Teme Teme. Teme Teme era a pessoa que organizava o contrato da turnê com a empresa. Os advogados de Catherine Jackson alegam que a empresa não estava disposta a cooperar com Rowe e, por isso, impôs Dileo a Michael. Dileo foi contratado em maio. Os advogados de Catherine esperam que, ao revisar os e-mails trocados entre Dileo e a empresa, possam descobrir esse segredo.
Brian Panish, advogado de Catherine Jackson, deveria levar hoje ao tribunal David Brown, um médico especialista em propofol, mas ele desistiu. Em juízo, ele disse que concluiu que as declarações da testemunha não acrescentariam nada de novo ao conhecimento do caso. Por causa dessa mudança de planos, o júri teve um intervalo para almoço de quatro horas.
Fonte: eMJey.com / LA Times & CNN & AP