Spike Lee: Perguntas e respostas sobre Bad 25
(18-9-2012) Spike Lee (55) usa uma camiseta de Michael Jackson que combina com os Air Jordans de Michael Jackson que o diretor usa quando Ben Kaplan se senta com ele para uma entrevista:
P: Dado seu histórico documental — o atentado à bomba na igreja em Birmingham e o furacão em Nova Orleans — por que fazer um filme sobre Michael Jackson?
R: Eu sou fã desde que o vi como vocalista principal do Jackson Five no The Ed Sullivan Show — 1969, foi isso. Eu queria ser um dos Jackson Five.
P: Em 1987, quando Bad foi lançado, você estava preparando School Daze. Você foi influenciado pelos visuais do Jackson tanto quanto pela música?
R: Eu só estava acompanhando o que Michael fazia. Ele dava uma ênfase enorme aos seus curtas-metragens, e eles estabeleceram o padrão e realmente fizeram o MTV — foi uma via de mão dupla. E muitas pessoas me disseram que Michael, se tivesse vivido mais, teria ido para a direção de filmes.
P: Você dirigiu Michael Jackson no vídeo de They Don't Care About Us, em 1996. O que você lembra?
R: Foi um dos destaques da minha carreira como cineasta.
P: Você estava tendo flashbacks de você mesmo, como um garoto de 12 anos, diante da televisão?
R: Eu não estava pensando no Ed Sullivan, eu estava pensando que eu tenho que fazer um trabalho direito, porque eu não posso decepcionar o Michael. Eu não quero que o Michael fique chateado.
P: Vamos falar de Bad, o álbum. Naquela época, você era fã?
R: Como todo mundo, eu tinha esperado cinco anos pela continuação de Thriller. Eu lembro — e até coloquei isso no filme — que eu não entendia a música Just Good Friends, o dueto com Stevie Wonder. Eu não gosto dessa música.
P: O que você quer dizer?
R: Eu não sei por que dois grandes compositores, Stevie Wonder e Michael Jackson, cantariam a música de outra pessoa, que nem é boa. Stevie também é um bom amigo meu. Ele sabia que eu ia perguntar sobre essa música.
P: O que você não gosta nela?
R: Quincy [Jones, produtor do álbum] diz em off, "Eu sei que cometi um erro." Isso é reconhecido.
P: Quincy também diz que não gostou de Smooth Criminal. Essa é a minha música favorita no disco.
R: Eles fizeram 66 músicas para Bad; você tem que ir cortando.
P: Com o disco sendo relançado e você fazendo este filme, você está tentando trazer o foco de volta, com Michael Jackson, para a música?
R: Isto é uma reavaliação. Do jeito que Michael foi tratado — Wacko Jacko — é criminoso o que escreveram sobre ele, então eu acho que muita gente vai voltar e ouvir este álbum. As pessoas ficaram presas em Thriller e Bad foi uma continuação de Thriller e acabou ofuscado, mas ele se sustenta por conta própria.
P: Você menciona a história do Wacko Jack. Isso contaminou sua impressão do homem?
R: Eu não acreditava nessas coisas. Eu odeio essas coisas. E como mostramos no filme, essas coisas machucaram o Michael. Ele era um ser humano.
P: No filme, você pergunta para todo mundo onde estava em 25 de junho de 2009, quando Michael morreu. Onde você estava?
R: Eu estava em Cannes para uma convenção de internet e, no jantar em Mônaco, eu recebi a notícia. Isso me deixou abalado por meses.
P: Você chamaria isso de um filme pessoal?
R: Todos os meus filmes são pessoais. Especialmente meus documentários.
P: Você agora passou duas vidas com Bad, como fã de música e como documentarista. Qual é a sua música favorita no disco?
R: Man in the Mirror. Esse é o hino, e Michael cantou pra valer.
Fonte: MJFC / National Post
As 25 coisas mais “danadas” do lançamento do documentário Bad 25
(18-9-2012) Após a estreia do documentário de Spike Lee sobre a criação do álbum 'Bad' no Toronto Film Festival, a Vulture reuniu um Top 25 das melhores coisas sobre o filme:
"Talvez tenha sido um dos melhores documentários musicais que eu já vi. Lee não está aqui no modo de criar mitos. O filme se concentra principalmente em conversar com pessoas que conheciam e trabalharam com MJ, desvendando detalhes sobre a criação das músicas do álbum e dos videoclipes. No meio disso, há entrevistas com Mariah Carey, Kanye West, Justin Bieber, Cee Lo Green, Chris Brown e (o melhor de tudo) Questlove, que falam sobre MJ a partir das perspectivas de fãs e de músicos. Nós reunimos as 25 coisas mais 'danadas' (e sem spoilers) sobre o filme:
25. Spike Lee conhece os níveis de som. O rugido da plateia durante as cenas estendidas de shows de músicas como "Man in the Mirror" e "Another Part of Me" é tão envolvente que parece que você está lá de verdade. Então veja num cinema, ou se estiver assistindo em casa, aumente o volume até 11.
24. A música favorita de Spike como MJ (ele revelou durante o Q&A após a exibição) é "Wanna Be Starting Something", e o vídeo favorito dele é "Stranger in Moscow."
23. A imitação de MJ com voz aguda de Spike: Ele usou isso ao contar ao público o que MJ diria sobre o filme ("Eu amei, Spike") e também ao recontar a primeira vez que ele conheceu o cantor. MJ foi até a casa dele, no Brooklyn, colocou pra ele o HIStory e disse que ele poderia dirigir um curta de qualquer música que quisesse. Spike escolheu "Stranger in Moscow", e MJ ficou tipo, "qualquer música, menos essa."
22. Stevie Wonder, entrevistado ao piano. Ele faz uma apresentação improvisada de "The Way You Make Me Feel." Durante o Q&A, Spike disse que quer fazer um documentário sobre Stevie Wonder. Estamos aqui.
21. O público realmente ficou sem ar (num tipo de "vergonha", tsk-tsk, sabe) quando foi revelado que o primeiro álbum a quebrar o recorde de Bad de cinco singles consecutivos em #1 foi o Teenage Dream, da Katy Perry.
20. O segundo susto coletivo veio ao ver Martin Scorsese com cabelo escuro e bigode, sem óculos, como diretor do curta "Bad" de 1987.
19. MJ não deixava ninguém chamar os vídeos dele de "vídeos". Eram todos curtas-metragens.
18. O curta "Bad" foi a forma de MJ reafirmar o cred dele na comunidade negra, então ele recrutou "o asmático judeu e o asmático italiano", disse Richard Price, que escreveu o roteiro como um drama social sombrio, sem saber que aquilo terminaria numa sequência de dança.
17. Wesley Snipes jovem! Aplausos enormes da plateia. (E também: o permanente anos 80 da Sheryl Crow. Ela era a cantora de apoio na turnê de Bad. Você precisa ver pra acreditar.)
16. Ver a estação de metrô Hoyt-Schermerhorn, onde filmaram "Bad", na época. MJ adorava as manchas de xixi por todo lado.
15. Spike Lee perguntando a Martin Scorsese, "Você conhecia a história toda do Michael agarrando a virilha?"
14. Jackson e Prince se encontraram uma vez. Prince aparentemente levou uma "caixa de vodu" e MJ ficou convencido de que ele estava tentando lançar um feitiço. Spike tentou fazer Prince conceder uma entrevista para o filme, mas ele recusou. Ele também recusou deixar Lee incluir imagens de uma entrevista do VH1 de 1997 com Chris Rock, em que Prince explica por que não fez o vídeo de "Bad". (Ele teria querido interpretar o personagem de Wesley Snipes e não conseguia imaginar uma situação em que ele permitiria MJ cantar pra ele a primeira linha da música, "Your butt is mine," ou em que ele ficaria bem com isso.)
13. MJ fazendo scat freestyle.
12. O final alternativo do vídeo de "Bad".
11. Descobrir que "Shamone!" ("Shamon"?) não é só uma forma legal de dizer "vamos lá", mas sim uma homenagem de MJ à cantora de soul Mavis Staples, que usou isso numa versão ao vivo de "I'll Take You There" em 1975.
10. Toda vez que Lee mostra o estúdio onde Bad foi gravado, MJ aparece representado por um recorte de papelão em tamanho real, porque, como ele explicou no Q&A, "quem vai interpretar o Michael?"
9. A capa original de Bad deveria ser o rosto do Jacko atrás de renda preta, como a famosa capa do Vogue de Gloria Swanson.
8. MJ jogou pipoca no rosto de Siedah Garrett durante a maior parte da gravação de "I Just Can't Stop Loving You."
7. Um mosaico de fotos de MJ em suas várias disfarces. Ele aparentemente ficou muito empolgado porque conseguiu ir de porta em porta como Testemunha de Jeová por um dia inteiro sem ser reconhecido.
6. Eram Crips de verdade naquele vídeo. Eles ficaram tão hipnotizados com a dança de MJ que a filmagem parou quando todo mundo no set congelou só para ficar olhando ele.
5. Imagens de MJ em um banheiro imitando quatro tipos diferentes de passas da Califórnia.
4. Ouvir os exercícios vocais de MJ. E descobrir que ele tinha, na prática, uma extensão de três oitavas e meia. Ele conseguia descer até um dó grave (na faixa de baixo) e tinha uma voz de fala de barítono, mas escolheu falar e cantar apenas em tenor.
3. Ver as sequências de dança de "Smooth Criminal" ao lado dos movimentos de Bob Fosse e Fred Astaire que as inspiraram.
2. Você vai descobrir quem é Annie, de "Smooth Criminal" Annie, are you okay? — a letra. Você nunca vai descobrir como eles fizeram a inclinação.
1. Não vou dizer como Spike faz isso, mas você vai chorar com a morte dele de novo."
Fonte: MJFC / Vulture