Jimmy Jam fala sobre trabalhar com MJ
(28/04/2012) Em uma entrevista recente, o famoso produtor Jimmy Jam falou sobre como foi trabalhar com Michael e Janet Jackson no álbum HISTORY, do Rei do Pop. Um trecho dessa entrevista está abaixo.
Falando sobre Michael Jackson, o que você pode compartilhar sobre trabalhar com ele no HIStory (1995)?
Michael foi incrível. Não consigo pensar em nenhum momento no estúdio que tenha nos surpreendido mais do que a primeira vez que ele entrou na frente de um microfone em “Scream”. Foi realmente engraçado. Primeiro de tudo, quando montamos essa faixa, eu pedi para Janet vir a Minneapolis. Eu só disse: “Eu preciso que você esteja aqui para inspirar.” Então eu e Terry montamos quatro ou cinco faixas diferentes, e, para uma das faixas, Janet disse: “Espero que ele não goste dessa, porque eu quero essa para mim.” E em outra faixa, ela disse: “Essa é a que ele vai gostar. Eu conheço meu irmão.”
Então a gente vai para a Hit Factory, em Nova York. Tocamos todas essas faixas, e quando a faixa que acabou virando “Scream” começou, ele disse: “Sim, eu gostei.” Janet disse: “Eu te falei! Essa é a que ele ia gostar! Fico tão feliz que ele não tenha gostado daquela outra faixa.” Bem, a outra faixa acabou sendo “Runaway”, o single dela de Design of a Decade. Eu achei que essa faixa seria um ótimo dueto para eles, mas Michael queria ser bem agressivo e bem intenso. Ele tinha coisas na cabeça sobre como se sentia sendo tratado pela imprensa. E a faixa de “Scream” era, sonoramente, perfeita para o que ele queria fazer nas letras.
Quando ele entrou no estúdio, a ideia era que ele cantaria primeiro e depois Janet entraria para cantar depois dele. Então Janet estava ali, eu e Terry sentados, e Michael entrou. Antes de cantar, ele ficou bem calmo e quieto: “Você pode aumentar um pouquinho meus fones de ouvido?” Aí, de repente, a música começou e ele começou a dançar pela sala, acertando todos os movimentos característicos dele. E ele estava tipo usando uma pulseira ou algo assim enquanto batia palmas—você não deveria fazer isso quando está no microfone, mas nem importou. Quando acabou, eu juro por Deus, era só silêncio na sala. Ele disse: “Como foi?” A gente: “Sim, ficou muito bom.” Aí eu virei e olhei para Janet, e ela disse para mim: “Eu vou fazer meu vocal em Minneapolis.” Era como: “Eu não vou fazer meu vocal agora.” Obviamente ele simplesmente arrasou, né? [risos]
Então a gente vai para Minneapolis com Janet, onde ela faz um trabalho excelente no vocal dela. A gente manda para Michael, e ele diz: “Nossa, Janet está com uma voz incrível. Onde ela gravou esse vocal?” Eu disse que foi em Minneapolis. “Eu vou para Minneapolis.” Então Michael vai para Minneapolis para regravar o vocal dele, e foi uma visão bem clara do lado competitivo dele. Nem importava que era a irmã dele. Era como: “Não. Eu tenho que refazer. Ela fez o dela, eu tenho que refazer o meu.” Era simplesmente louco ver a competitividade dele até com a própria irmã. Mas era aquela busca pela perfeição. E o vocal original que ele fez em Nova York acabou sendo provavelmente 90% do vocal na música final.
É bem único você ter tido oportunidades de trabalhar tanto com Prince quanto com Michael Jackson.
Também foi ótimo trabalhar com Prince e com Michael—eles eram opostos polares no jeito de trabalhar. Prince entrava no estúdio no começo do dia e saía com “1999” pronto. Com Michael, a gente passava um dia inteiro só ajustando o volume das palmas das mãos. Quer dizer, literalmente. E a gente aumentava e ele dizia: “Ok, eu volto amanhã e a gente escuta de novo.” A gente volta no dia seguinte, e ele: “Dá para aumentar mais um pouquinho?” Sim, a gente aumenta. “Ok, faz uma fita pra mim.” Ok. “Eu volto amanhã e a gente escuta de novo.” Quer dizer, era literalmente assim. Mas isso [vinha] de aprender com pessoas como Quincy Jones, gente que era muito meticulosa com o que fazia.
Como Michael era no lado pessoal?
Na época em que a gente trabalhava com ele, Michael era casado com Lisa Marie Presley. E eu lembro da minha esposa perguntando para Lisa o que a atraiu em Michael. Ela olhou para minha esposa e disse: “Ele é o homem mais gentil que eu já conheci.” E eu lembro de pensar a mesma coisa depois de trabalhar com ele. Só um cara muito legal.
Isso me lembra uma coisa: a gente costumava ter conversas grandes e longas. E Michael puxava meu cérebro sobre várias coisas, sempre curioso sobre tudo. Ele me disse: “Jimmy, como você quer ser lembrado?” Eu perguntei o que ele queria dizer. “Quando as pessoas falarem de você depois que você se for, como você quer ser lembrado?” E eu disse: “Eu quero ser lembrado como um cara legal.” Michael falou: “Não, eu digo, como produtor… quantas músicas número um,” sabe, seja lá o que for. Eu só disse: “Michael, isso são estatísticas. Eu não quero que alguém diga ‘Ah, sim, aquele Jimmy Jam, ele teve um monte de hits número um’. Eu só quero que digam: ‘Jimmy Jam, ele era um cara legal.’”
Avançando cerca de um ano. A gente precisava liberar uma amostra, e ele era a única pessoa que conseguia liberar. Acabei tendo que ligar diretamente para ele. Eu disse: “Michael, como você está?” Ele respondeu: “Estou bem. Eu sei que você queria me perguntar alguma coisa, mas antes disso, posso te contar uma coisa?” Eu disse: claro. Ele falou: “Lembra do que você disse sobre como você quer ser lembrado?” Eu disse que sim. “Então, toda vez que alguém pergunta sobre você, eu só digo: ‘Jimmy Jam, ele é o cara mais gentil.’” E eu disse: “Perfeito! Você entendeu agora, Michael?” E ele disse: “Eu entendi totalmente.”
No fim das contas, depois de todo o talento e de tudo o que ele fez de inovador, ele era simplesmente um cara legal. Foi uma das pessoas mais gentis que eu já conheci e com quem já trabalhei.
Você pode ler a entrevista completa clicando aqui.
Fonte: MJFC / livejournal.com / agradecimentos especiais a Kelly por ter nos chamado a atenção!