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Carrie Fisher sobre o último Natal de Michael

Carrie Fisher sobre o último Natal de Michael (3-11-2011) A atriz e autora Carrie Fisher lançou um novo livro chamado Shockaholic, no qual ela fala sobre seu uso regular de terapia eletroconvulsiva para combater a depressão, seu encontro com um Ted Kennedy ofensivamente mal-educado e, no trecho a seguir, o que aconteceu quando ela passou a véspera de Natal com Michael Jackson e seus filhos. No fim das contas, aquele seria o último Natal de Michael, e a Sra. Fisher tinha coisas realmente maravilhosas para dizer sobre a experiência. Você pode ler o trecho abaixo:

A fama de Michael transformou muitas pessoas em ávidos caçadores de estrelas, que só queriam algo dele além do que um ser humano normal está disposto (ou é esperado) a dar. Elas estavam ali pela anedota. É o que eu chamo de “shine” (o brilho). As pessoas querem encostar nele e, ao fazer isso, o próprio valor delas aumenta. Mas eu gostaria de propor um motivo pelo qual Michael talvez preferisse a companhia de crianças ao que ouvi dizer que eram os “adultos”.

Crianças de uma certa idade, jovens demais para entender o fenômeno peculiar da fama, são potencialmente mais fáceis de confiar e de conviver do que um certo tipo de adulto que, como eu disse antes, na maioria das vezes tem a tendência de começar a agir completamente desorganizado(a) diante de alguém tão absurdamente famoso quanto Michael. E crianças têm muito menos chance de agir assim, porque elas ainda não sabem exatamente o que é fama. Para elas, famoso são personagens de desenho animado, ou os Muppets, ou o Barney. É um conceito abstrato demais para crianças.

* * *

Na véspera de Natal de 2008 — a última de Michael — eu fui até a casa dele, que fica logo abaixo de onde eu moro, descendo a colina, e a apenas alguns quarteirões de distância. Ele estava dando aos filhos a infância que ele nunca teve. Uma infância fora do mundo das celebridades, com pessoas que não os objetificavam. Porque, normalmente, para Michael, a vida era como ser um animal no zoológico. Uma espécie em extinção, para sempre atrás das grades. Eu podia entrar na jaula com Michael e não ficar assustada, e não eram tantas as pessoas que saberiam como fazer isso — ou que saberiam até que aquilo era algo que talvez fosse exigido de alguém quando estivesse com ele. Mas eu sabia.

Então eu me juntei a Michael depois do horário de visitas no “zoológico” dele. Tiramos fotos, comemos biscoitos e decoramos a árvore.

E então, para variar, Michael me pediu para fazer para os filhos o discurso do holograma de Star Wars. Eu não me importei. Alguém precisava mesmo me lembrar o quanto Michael era fã de Star Wars.

Enquanto eu estava lá, porém, na maior parte do tempo não era exatamente a situação em si que a gente estava vivendo — a gente estava tirando fotos dela. Arnie tirou fotos de mim, de Michael e das crianças, e eu tirei fotos de Arnie e dos amigos dele e do pacote da família Michael. O meu favorito foi tirar uma foto de Michael lendo meu livro Wishful Drinking.

Eu vou sempre guardar com carinho aquela configuração estranha do nosso Natal. Olhando para trás, parecia como se Michael não soubesse apenas “estar” em uma situação sem registrá-la numa câmera. O fato é que ele estava tão acostumado a ser documentado. Mas o motivo principal de a documentação ter surgido dessa vez era, na maior parte, para os amigos do Arnie — que queriam tirar fotos do encontro com Michael para poderem levar o brilho dele consigo. A experiência os elevou. Virou, “Ah, eu jantei na véspera de Natal com Michael Jackson. O que você fez?” Enfim, a gente ficou fazendo coisas de feriado, no estilo “f*ck around”, e se divertindo, e foi divertido. Tiramos fotos, agimos de um jeito infantil (pelo menos eu acho que foi isso). Em algum momento, Michael disse: “Ok, eu vou deixar vocês tirarem fotos dos meus filhos porque eu sei que vocês não vão mostrar para ninguém, porque vocês sabem que eu não quero que ninguém veja meus filhos.”

Ele queria que os filhos fossem o mais “não registrados” possível. Se os africanos acreditam que você perde um pedaço da alma toda vez que tiram sua foto, então Michael não tinha uma foto há muito, muito tempo. Mas ele estava tentando organizar as coisas para que os filhos pudessem manter os deles. E os filhos dele são muito doces, boas crianças. E isso é porque, seja o que mais ele era ou não era, eu acho que Michael foi um pai realmente bom. Quer dizer, os filhos dele são gentis, muito educados, de temperamento equilibrado, e essencialmente crianças sem marcas. E isso não vem de uma babá. Você não consegue fingir esse tipo de coisa. Tem que vir do pai. E aquele pai era Michael.

De SHOCKAHOLIC por Carrie Fisher. Copyright © 2011 pela Deliquesce Inc. Reimpresso com permissão da Simon & Schuster, Inc.

Fonte: MJFC / huffingtonpost.com