Dia 17 do Julgamento: Mais Detalhes
Na sessão de terça-feira, a enfermeira Cherilyn Lee disse que passou a noite de 12 de abril de 2009 na casa de Michael para monitorar a qualidade do sono dele.
Uma semana depois, em 19 de abril, ela teve um compromisso na casa de Michael, durante o qual o injetou com vitaminas. Naquele dia, Michael pediu que ela ficasse para dormir e que ela visse com os próprios olhos que ele simplesmente não conseguia dormir. Depois de 2 a 3 horas, Michael acordou e então disse a Cherilyn que havia apenas um medicamento específico que o fazia dormir: Diprivan (propofol).
Cherilyn não sabia nada sobre esse medicamento, mas quando visitou Michael na semana seguinte, forneceu a ele informações que havia recebido de um médico especialista. Ela disse que era um anestésico usado para cirurgias em hospital, e não para tratar insônia em casa. Lee disse que o propofol não é brincadeira, mas Michael insistiu que o médico dele havia garantido que, enquanto os sinais vitais estivessem sob cuidados médicos, o medicamento não faria mal a ele.
Michael disse que estava ocupado ensaiando para os shows e precisava de algo que o colocasse para dormir muito rapidamente para ter energia suficiente para participar das sessões de ensaio. Lee disse que Michael nunca revelou o nome do médico dele para ela. Ela se recusou a dar a ele essa medicação, e nunca mais voltou à casa dele nem o viu novamente.
Cherilyn Lee então falou sobre um incidente em 21 de junho, quatro dias antes da morte de Michael.
Naquele dia, Fahim Mohammed, chefe da equipe de segurança de Michael, ligou para Lee e disse que o chefe dele queria encontrá-la. A enfermeira estava na Flórida e a reunião não foi marcada. Ao fundo, ela podia ouvir Michael dizendo a Fahim:
“Metade do meu corpo está frio e a outra metade está quente!”
Lee disse a Fahim para levá-la ao hospital o mais rápido possível. Depois da morte de Michael, ela contou à polícia que estava preocupada de que um problema pudesse ter ocorrido no sistema nervoso central de Michael, e que ela estava pensando que isso poderia ser um dos efeitos colaterais do propofol.
Durante o interrogatório, Lee disse ao promotor que Michael sofria de duas doenças, lúpus e vitiligo.
O promotor Walgren se referiu aos detalhes do tratamento médico que Lee havia registrado. Lee registrou todas as suas ações, e o que ela fez pode ser rastreado.
Conrad Murray não fez registros desse tipo, o que é, do ponto de vista médico, fora do padrão. O promotor considera isso uma das falhas de Murray.
Com base no que Lee registrou, as ações dela estavam totalmente de acordo com os padrões médicos.
A ação mais importante que Lee tomou foi alertar Michael sobre o propofol e dizer que ele poderia morrer durante a anestesia. O promotor diz que isso é exatamente o que o acusado Murray deveria ter feito.
Lee disse a Michael que, se alguém realmente valorizasse a vida dele e se importasse com ele, nunca daria propofol a ele.
Outra testemunha neste dia foi Amir Rubin, oficial sênior de segurança do hospital da UCLA. Ele disse que, no dia em que Michael morreu, foi informado de que uma determinada pessoa — cujo nome foi mantido em sigilo — havia sido transferida para o departamento de emergência do hospital, e que a segurança daquele local precisava ser garantida da melhor forma possível. Tanto a polícia do hospital quanto a polícia da cidade estavam no local.
Rubin disse que eles também monitoraram a segurança do local onde Jermain Jackson leu, durante uma coletiva de imprensa, a declaração de morte do irmão Michael. Rubin anunciou que o texto da declaração foi preparado por Randy Phillips, CEO da AEG e supervisor de relações públicas do hospital da UCLA, e depois por Jermain Jackson.
Conrad Murray havia dito à polícia que Jermain pediu a ele para ajudar a escrever o texto da declaração. O vídeo do interrogatório de Murray havia sido exibido anteriormente no tribunal. Rubin disse que Murray havia solicitado que a causa da morte não fosse incluída na declaração.
A coletiva de imprensa aconteceu uma hora e meia depois de Michael chegar ao hospital.
Essa testemunha continuou dizendo que a Dra. Rachel Kooper, que também havia estado presente na cadeira anteriormente, informou a mãe de Michael, Katherine, sobre a morte dele no departamento de emergência.
Rubin disse que ouviu o som de uma mãe chorando e lamentando pela criança:
“Ouvir isso não me fez sentir nada bem.”
Michael Henson, da Pacific Toxicology, foi outra testemunha na décima sétima sessão. Ele realizou os testes de toxicologia do corpo de Michael a pedido dos advogados de defesa.
Em resposta ao promotor Walgren, ele disse que, enquanto a toxicologia estava em andamento, o professor Schaeffer — que havia testemunhado anteriormente no tribunal — solicitou informações e o método usado para a toxicologia, mas a empresa recusou o pedido.
Uma vez, o promotor do Brasil também solicitou essas informações, e a empresa a encaminhou para o advogado de defesa de Murray, Michael Flanagan. O Brasil ameaçou ação judicial, e a empresa foi obrigada a fornecer as informações ao promotor.
De acordo com o relatório de toxicologia, a quantidade de lorazepam encontrada dentro do estômago de Michael era equivalente a 1/333 de um comprimido de 2 mg. Os advogados de defesa já haviam dito anteriormente que Michael havia consumido oito comprimidos de lorazepam de 2 mg enquanto Murray não estava ciente.
Fonte: eMJey.com / AP / CNN / Reuters / ABC